A ética na dança

2010 Fevereiro 1

Navegando pela web encontrei um site com informações muito interessantes sobre a arte da dança do ventre, dentre elas um código de ética, formulado por profissionais da área.

Transcrevo abaixo o texto na íntegra, conforme exibido no site “Oriente, Encanto e Magia & Mercado Persa”.


Código de Ética da Dança do Ventre


A dança do ventre é uma expressão artística e, como tal, deve ser difundida. Cabe às profissionais da área zelar pelo seu conceito, mantendo assim, os padrões de elegância que a envolvem e não permitindo sua vulgarização.

Para exercer suas funções com dignidade, as profissionais da área devem receber remuneração justa pelos serviços artísticos ou didáticos prestados.

É considerada conduta antiética a prática de concorrência desleal com outras profissionais da área (bailarinas ou professoras).


Professoras


– A professora tem a função de ensinar e orientar pacientemente, sempre zelando, em primeiro lugar, pela saúde e bem-estar de suas alunas, e respeitando as limitações de cada uma.

– A todas as professoras é dada orientação que seus currículos estejam à disposição das alunas.

– É importante que a professora realize anualmente avaliações opcionais com suas alunas, as quais terão à disposição informações preciosas para a evolução de seu aprendizado.

– A dedicação ao ensino deve ser direcionada para o conhecimento de suas alunas e não como instrumento de vaidade pessoal para a promoção da professora.

– A professora deve exercer seu trabalho livre de toda e qualquer discriminação, motivando e respeitando suas alunas, independentemente de características físicas ou faixa etária, lembrando que esta é uma atividade que deve ser direcionada visando ao bem-estar e equilíbrio físico, mental e emocional. Portanto, não podem ser exigidos padrões estéticos que diferenciem ou discriminem qualquer uma delas.

– Para aptidão ao magistério da dança do ventre considera-se satisfatório um período mínimo de 4 (quatro) anos de estudos na área, com aperfeiçoamento em didática e conhecimentos de anatomia, cinesiologia e biomecânica que possibilitem segurança na realização de um trabalho corporal consciente. O tempo de estudo pode ser reconsiderado a partir de cursos realizados anteriormente, como balé clássico, educação física ou faculdade de dança.

– A professora de dança do ventre deve buscar aprimoramento e atualização constantemente.

– A professora deve cumprir a programação e o cronograma de cursos oferecidos ou divulgados a suas alunas.

– Todas as alunas merecem igual atenção de sua professora, a qual não deve fazer qualquer distinção entre elas.

– A professora deve ser especialmente honesta quanto aos seus conhecimentos, buscando respostas corretas para esclarecimento de suas alunas. Todas as informações pertinentes ao curso que se dispõe a ministrar devem ser transmitidas com clareza e honestidade, visando ao efetivo aprendizado de suas alunas.

– Como a dança do ventre tem origens muito remotas e informações de difícil acesso, esta questão deve ser sempre esclarecida a priori, para se evitar a divulgação de histórias fictícias que resultem em prejuízo à sua imagem e evolução.

– A professora não deve estimular competitividade negativa entre suas alunas ou com outros grupos.

– A professora deve ter respeito e consideração com as demais profissionais da área, preservando um ambiente de relacionamento sadio que possa acrescentar ao desenvolvimento de todo o segmento, não utilizando a sala de aula como espaço para demonstrar rivalidades pessoais ou denegrir a imagem dos demais profissionais da área em prol de sua promoção.


São ainda consideradas atitudes antiéticas:


– Apresentar coreografias de outras profissionais sem prévia autorização, bem como omitir o nome da responsável por sua criação.

– Coibir a participação de alunas em workshops e cursos que possam acrescentar elementos ao desenvolvimento e aprendizado.

– Apresentar currículos com informações fictícias referentes ao aprendizado e experiência. Recomenda-se que, em se tratando de cursos e workshops, sempre se solicite certificado de participação Bailarinas. No Brasil, até a presente data, são consideradas bailarinas de dança do ventre todas aquelas que, possuindo o conhecimento e experiência necessários, prestem serviços artísticos profissionais (shows) mediante oneração.

– Cabe à bailarina profissional cumprir todas as cláusulas acertadas em contrato para prestação de serviços artísticos junto ao seu contratante.

– A bailarina profissional de dança do ventre deve zelar pela imagem moral da categoria que representa:

a) mantendo relacionamento de respeito e elegância junto ao seu público e contratante.

b) trajando-se de forma adequada aos padrões da categoria durante suas apresentações.


Faz parte da correta conduta ética entre bailarinas profissionais:


– Quando assistir à apresentação de outra bailarina e/ou alunas, dedicar o devido respeito e atenção.

– Quando estiver realizando apresentação em conjunto, ser solidária e direcionar o trabalho com espírito de equipe e união.

– Ter consciência de que cada profissional possui um estilo próprio que a diferencia e, assim, saber apreciar a admirar, com a devida humildade, todas as variadas formas de se expressar a mesma arte.

– Respeitar o local de trabalho de outras profissionais.


São consideradas atitudes antiéticas:


– Atravessar ou interferir em contato de trabalho de outra profissional estando ciente deste fato.

– Distribuir material de propaganda pessoal durante serviços contratados por meio de outra bailarina.

– Criticar o desempenho ou denegrir a imagem de outra profissional junto ao público, contratantes ou demais colegas da área.

– Transformar uma apresentação coletiva em disputa pessoal de vaidade, interferindo na qualidade do trabalho apresentado.


A forma como uma professora e bailarina se referem à sua (s) mestra (s) é um exemplo que será seguido por suas alunas amanhã. Quem não respeita seu mestre não valoriza a arte.

Recomenda-se sempre avaliação médica antes do início das atividades, como em qualquer atividade física.

As responsáveis pela elaboração do Código de Ética esperam que a união, a humildade, a seriedade, o respeito e o amor sincero à arte estejam sempre acima de qualquer diferença pessoal. Que estes laços que nos aproximaram até aqui em favor do objetivo único de valorizar e organizar nossa arte se fortifiquem a cada dia, alcançando todas as praticantes da dança do ventre no Brasil.

Luciana Muniz

Gypsy Loo!

2010 Janeiro 21
por Luciana Muniz


Cigana

“Gypsy Girl with a Basque Drum” (1867), de William Adolphe Bouguereau.


Esta semana voltei às aulas na academia de dança. Aulas? Sim, aulas. Motivada por uma antiga paixão pela cultura e também pelo figurino das dançarinas, decidi aditivar o combo de atividades com dança cigana.

Adorei a primeira aula! Entendemos os porquês de posturas e gestos, além de noções sobre a movimentação das mãos e os primeiros movimentos de saia.

De cara deu para notar que é uma dança que exige preparo físico e cuidado extra com as mãos, que são muito usadas nas coreografias.

Claro que a paixão pela dança do ventre continua firme e forte, mas a primeira impressão foi a de que a dança cigana trás resultados visuais mais rápidos. Pode ser que eu esteja enganada, mas isso somente o decorrer das aulas dirão. A aguardar.

Luciana Muniz

Pequenos desejos x Grandes sacrifícios

2010 Janeiro 11
por Luciana Muniz

Ano novo, tudo novo! Comecei realizando uma antiga vontade: Colocar um piercing. Confesso que a dança do ventre incentivou bastante a realização deste desejo e além de ser feminino, acho bonito dançarinas que exibem uma jóia no umbigo.

Os cuidados a tomar para evitar uma infecção, uma possível rejeição e proporcionar uma cicatrização perfeita dão um pouquinho de trabalho e exigem disciplina tanto com a higiene do local quanto com a alimentação. Estou terminantemente proibida de comer carne de porco (detesto!), frutos do mar (não me convidem para traçar um sushi nos próximos dois meses), ovo (não faço questão) e… chocolate!

Quando o profissional do Studio falou que na lista dos “não pode” incluía chocolate, quase desisti. Dois meses sem chocolate. Dois meses sem atacar uma caixa de bombons. Dois meses sem o chocolatinho nosso de cada dia.

Contudo são poucas ou quase inexistentes as possibilidades de se obter algo que não exija algum tipo de sacrifício, seja financeiro ou de força de vontade, não é verdade?

E quando bate a vontade de transgredir as regras, lembro da seguinte frase:

“O entusiasmo é a maior força da alma. Conserva-o e nunca te faltará poder para conseguires o que desejas”.

(Napoleão Bonaparte)


Piercing

Luciana Muniz

Pensamentos Traduzidos

2010 Janeiro 8
por Luciana Muniz

Mulher com Espada

De tudo ficaram três coisas…

A certeza de que estamos começando…

A certeza de que é preciso continuar…

A certeza de que podemos ser interrompidos

antes de terminar…

Façamos da interrupção um caminho novo…

Da queda, um passo de dança…

Do medo, uma escada…

Do sonho, uma ponte…

Da procura, um encontro!


(Fernando Sabino)

Luciana Muniz

Reflexões Pós-Espetáculo

2009 Dezembro 21

Pronto. O primeiro espetáculo já foi. Participação pequena (apenas uma coreografia), porém válida como experiência.

Achei importante registrar o passo a passo desta saga, onde foram muitas horas de ensaio para cinco minutos de palco. Agora entendo porque bailarinas em geral valorizam tanto o momento da apresentação, passa muito rápido!

Ensaio Academia

Tão rápido que não deu tempo de me torturar de ansiedade, fomos a terceira coreografia da noite, mal deu prá curtir o burburinho dos bastidores, cheio de mulheres se maquiando e às voltas com os últimos retoques do figurino.

Bastidores

Neste espetáculo cada apresentação foi precedida de uma poesia referente à Deusa em que a coreografia foi inspirada. A coreografia que participei tinha como premissa a ousadia, simbolizada por Lilith.

Em pouco tempo deu para perceber que a originalidade é um dos predicados da minha professora, quando todos esperavam dançarinas vestidas de preto, roxo ou vermelho, cores fortes, que normalmente colorem a Lilith, surgimos de branco.

Apresentação

A ousadia residia no conjunto do projeto e não exatamente no figurino. Apresentamos uma coreografia simples (e nem por isso fácil para alunas iniciantes como eu), com duas fases, uma mais lenta, transitória para uma segunda parte mais rápida e forte, dançarinas concentradas, com expressão oscilando entre o taciturno rebelde e a melancolia sensual, exibindo em suas faces uma maquiagem fortíssima ressaltando a expressão dos olhos.

Apresentação

Ao final, quando ressurgimos para os agradecimentos, caiu a ficha. Aprendi que a dança do ventre não se resume apenas a meia dúzia de dançarinas executando todas ao mesmo tempo o mesmo passo. Fica bonito? Claro que fica! Mas dá para inovar, mostrar algo diferenciado, por que não?

Se não fosse desta forma muito provavelmente eu mesma não participaria do espetáculo, ou melhor: participaria sim, mas como mera expectadora. Não daria tempo de aprender movimentos mais complexos e atingir uma sincronia digna de ser apresentada. Contudo correu tudo bem e acredito que para uma primeira apresentação meu desempenho foi satisfatório.

Agradecimento

Agradeço especialmente aos amigos que foram assistir ao espetáculo, que filmaram, tiraram fotos e torceram pelo nosso sucesso. Também não poderia, de forma alguma, deixar de agradecer à minha professora, Natália Salvo, que soube extrair o melhor de nós (Jaque e eu) mesmo com nossas limitações de alunas iniciantes. Finalizo agradecendo à fotógrafa Fernanda Grigolin, autora das fotos exibidas neste post.

Agradecimento

E em 2010 tem mais! ;)

Luciana Muniz

O Fantasma da Ópera

2009 Dezembro 3
por Luciana Muniz

”O

Do quanto uma paixão pode inspirar a arte, o musical “O Fantasma da Ópera” é um belo exemplo. Nós escritores sabemos o quanto nosso estado de espírito influencia na autenticidade e inspiração para a escrita. Meus melhores textos, e não apenas na minha opinião, são aqueles em que escrevi ou lucidamente amargurada ou em meio a uma febre apaixonada.

Assisti ao filme e fiquei maravilhada com o esmero da produção como um todo, o espetáculo, as músicas, a história, o figurino. Tudo pareceu perfeito aos meus olhos. É uma história romântica, onde o triângulo amoroso impera e o “fantasma” inspira o expectador a sentir terror em alguns momentos e em outros, pena. As músicas de tom forte e teatral combinam perfeitamente com o mistério do personagem-título e a aura sombria que cria em torno de si.

O diretor do filme (Joel Schumacher) conduziu a adaptação do musical para as telas de forma magistral, o enredo se inicia, a história é contada em forma de flashback e o final fecha o círculo iniciado.

A empolgação foi tanta que sobrou fôlego para assistir aos extras do filme, coisa que raramente faço. E aí veio uma nova surpresa. Em “Por detrás da Máscara” soube de algo que até então ignorava: o produtor musical (Andrew Lloyd Webber) que adaptou a novela francesa, escrita por Gaston Leroux, para a Broadway, teve como musa inspiradora sua ex-esposa, ninguém menos que a cantora Sarah Brightman.

E como sou daquelas que compram um CD apenas por uma faixa e acabo ignorando as demais, fui dar uma espiada no álbum “The Harem Tour – Live From Las Vegas” (2004) e não é que as faixas 12 e 13, “Phanton of the Ópera Suite” e “Wishing you were somehow here again”, respectivamente fazem parte da trilha sonora do filme?

Foi uma grata surpresa que complementou as informações sobre o filme.

Fica aqui a dica. O Fantasma da Ópera é um ótimo filme com todos os ingredientes que enchem os olhos dos expectadores, não apenas de arrebatamento pela beleza do espetáculo, mas também de lágrimas pela linda história de amor. Um amor que inspira, que cria e emociona. ;)

Luciana Muniz

Espetáculo “Deusas”

2009 Dezembro 2

Flyer” width=

O espetáculo de 2009 da Academia de Dança “Luz da Lua” sob o tema “Deusas” convida a todos a prestigiar a apresentação das alunas em suas modalidades de dança.

Os convidados poderão apreciar as apresentações de grupos de Dança do Ventre, Dança Cigana, Dança de Salão, Street Dance, Jazz e Ballet.

Quando?

Dia 15/12/09 à partir das 19:30 hs até às 22:00 hs.

Onde?

No teatro do Colégio Maria Imaculada, na Av. Bernardino de Campos, 79 – Paraíso – SP (Ao lado do Shopping Paulista).

Quanto?

R$ 15,00 (Quinze reais) o convite individual adquirido diretamente na Academia de Dança.

Mais informações sobre a Academia de Dança:

Academia de Dança Luz da Lua

 

Luciana Muniz

Arte Vibration

2009 Novembro 25
por Luciana Muniz

Os passos de uma coreografia são importantes, mas o figurino também conta, certo? Contudo, outro detalhe costuma chamar bastante a atenção: os adereços. Estes enriquecem bastante um figurino. Rachel Brice que não me deixa mentir, afinal quem nunca reparou na autenticidade dos figurinos que ela exibe em suas apresentações?

Rachel Brice

Estes dias uma amiga (bjitos Mila!), que é aluna de Tribal Fusion e dança Flamenca, enviou o link de um blog onde o artesão expõe suas criações, que são verdadeiras obras de arte. Achei tão interessante que resolvi exibir duas de suas peças por estas bandas.

Arte 01

Arte 01

Quer ver mais? Acesse diretamente o blog do artista, clicando aqui.

 

Luciana Muniz

Ó Indecisão!

2009 Novembro 24

Woman Dancing

 

A coreografia não está totalmente decorada?

O figurino não foi definido?

Faltam apenas três semanas para a data marcada para o espetáculo?

Você está fazendo aula de dança do ventre há pouco mais de 1 mês?

Sim, tudo isso é verdade, mas estamos ensaiando com o mesmo empenho, duas vezes por semana.

A indecisão da nossa apresentação se deve ao fato de que, caso a data do espetáculo não seja alterada, uma das alunas do grupo não poderá participar da apresentação. Seremos apenas três no palco com uma coreografia montada para ser executada por quatro bailarinas.

Não sei se fica interessante me apresentar desta forma, estando eu ainda tão crua.

Por outro lado fica o desafio e a experiência para as próximas apresentações.

Enfim… As próximas duas semanas serão decisivas para saber com certeza se nos apresentaremos ou não.

De qualquer forma, se não rolar, estarei assistindo satisfeita as apresentações dos outros grupos da academia. :D

 

Luciana Muniz

Bê-a-Bá

2009 Novembro 23
por Luciana Muniz

Bê-a-Bá

O aprendizado de uma dança pode ser comparado analogamente ao aprendizado da leitura e escrita. Quando aprendemos a ler, primeiramente conhecemos todas as letras que compõem o alfabeto. Após este conhecimento prévio, classificamos as letras entre vogais e consoantes. E então nos instruem que unindo a letra ‘B’ à letra ‘A’ é formada a sílaba ‘ba’. Enquanto estamos no árduo estágio do aprendizado das consoantes, vogais e sílabas não há ainda prazer ou individualidade, só repetição, memorização e prática. Porém a semente está germinando internamente.

Tomamos conhecimento das sílabas, vamos aprendendo as regras gramaticais e, com bastante treino, estamos aptas a ler e a escrever.

Nesta fase vem o prazer de conhecer um mundo novo, repleto de possibilidades, onde a prática vai formando nossa individualidade. É o momento em que descobrimos nossas particularidades, estilo de letra, extensão do vocabulário, descoberta de novas palavras e por ai vai.

Por que estou escrevendo tudo isso? Porque no meu entendimento a dança também é uma linguagem e, tal qual uma linguagem, requer um aprendizado que não pode ser obtido de forma imediata, é gradual e requer bastante treino. E da mesma forma que aprender a ler e escrever, é necessário preencher requisitos para nos tornarmos aptas ao nível seguinte.

Refletindo sobre este assunto e seguindo a analogia, pergunto: Onde atualmente me encaixo no aprendizado da dança do ventre?

Digamos que estou conhecendo as letras do alfabeto. Sei que há um caminho longo a percorrer, mas pretendo segui-lo com calma, curtindo todos os estágios e por enquanto, obtendo prazer em aprender as regras, sabendo que a semente está lá, interna, encolhida e ainda tímida, mas concentrando suas forças para, no momento certo, romper a superfície e crescer forte. Banhando-se na luz do sol e se movimentando languidamente na brisa soprada pelos Deuses.

A partir daí o prazer não será apenas meu, a idéia é retransmitir esta energia tão boa que a dança proporciona também aos que apreciam uma apresentação de dança.

Luciana Muniz